sábado, 26 de outubro de 2013

Manutenção de Motores Glow 2 Tempos

               

Desmontagem, substituição de rolamentos e limpeza geral
por Miguel Gama
PREPARAÇÃO

Antes de iniciar qualquer trabalho, você deve juntar as ferramentas apropriadas e preparer a area de trabalho. Eu gosto de cobrir a bancada com um pedaço de papelão preso com fita adesiva, mas uma toalha velha também funciona muito bem. As ferramentas necessárias para este trabalho, serão chaves Allen (milímetros ou polegadas de acordo com os parafusos), um par de pequenos alicates , chaves de fendas, um estilete, um extrator pequeno (saca-polias), produto para limpeza, escovas, uma bandeja, papel absorvente e óleo de máquina (ou after-runner), um ferro de solda e uma pistola de ar quente.
Mantenha-se organizado e trabalhe num lugar onde você não fique preocupado se fizer um pouco de bagunça. Este trabalho não é apropriado para uma mesa de jantar delicada.

DESMONTAGEM

Desmontar o motor não é nenhum bicho de sete cabeças, entretanto, se esta é a sua primeira vez, é recomendável manter um papel e uma caneta à mão, para fazer algumas anotações que certamente serão úteis para você colocar tudo de volta de forma mais fácil.
Primeiramente remova o escapamento (muffler). Assegure-se de utilizar a chave Allen ou Phillips correta para não danificar os parafusos. Se os parafusos estiverem muito emperrados ou apertados, utilize o ferro de solda para aquecê-los. Isso ajudará a soltá-los.
Em seguida, remova o carburador. Geralmente o carburador é preso por dois parafusos ou por uma trava (chaveta).
Remova a porca da hélice e a arruela. A maioria dos motores atuais utilizam uma chaveta para travar a arruela de suporte da hélice (prop drive washer). A maneira mais fácil de remover a arruela de suporte da hélice é com um pequeno saca-polias, porém, caso você não possua um, remova a chaveta, proteja-o com um pano e tente soltá-lo com o auxílio de um alicate.
Utilize o estilete, para fazer pequenas marcas na parte traseira da tampa do cabeçote, na parte traseira da biela e no topo do pistão, indicando a parte que fica pra trás. Estas marcas o ajudarão a reposicionar corretamente as peças na remontagem.
Os parafusos da tampa traseira podem estar cobertos de fuligem. Limpe-os cuidadosamente para que a cheve Phillips ou Allen encaixe corretamente, evitando danificá-los.
Novamente, se os parafusos estiverem emperrados, utilize a dica do ferro de solda. Acredite, funciona mesmo !
Lentamente remova a tampa traseira, tentando evitar rasgar a junta. Se ela ficar colada, utilize um estilete para soltá-la cuidadosamente. Se ela rasgar, você terá que comprar uma nova. Vazamento na tampa traseira impede o motor de funcionar bem.
Depois de bastante uso, os motores costumam acumular fuligem e óleo queimado encrustado no cabeçote e seus parafusos, que pode ser difícil de remover. Os motores mais modernos usam juntas de latão ou alumínio que podem causar vazamentos, caso não sejam corretamente encaixadas. Gentilmente remova a tampa do cabeçote, tomando todas as precauções para preservar a integridade dos parafusos e da junta. Se necessário, utilize o estilete para soltar a junta, mas se houver danos, pode ser necessário substituí-la.
Alguns motores possuem um pino guia para o correto alinhamento da camisa ao cilindro. Se o seu motor não possuir este pino, lembre-se que as saídas do escapamento são as mais altas. Se a camisa não for corretamente alinhada com o cilindro, o motor não funcionará.
Agora solte a parte inferior da biela do pino do virabrequim, na traseira do motor, e então remova, por cima, o conjunto pistão e biela. Cuidado para não danificar o anel do pistão durante a remoção, caso seu motor possua.
O virabrequim sairá com facilidade do corpo do motor e dos rolamentos. Caso não fique preso, bata levemente na ponta do eixo, protegendo-o para evitar danos que poderiam deformar e destruir o virabrequim.
Agora que o motor está desmontado, nós podemos retirar os rolamentos antigos. O corpo de alumínio do motor deverá ser expandido com calor para liberar os rolamentos. Você pode utilizar uma pistola de ar quente para aplicar calor, se não dispuser de uma, pode colocar o motor no forno a 250 graus por cerca de 10 minutos. Não utilize maçarico, porque o aquecimento desigual pode distorcer o metal e destruir o motor. A pistola de ar quente funciona muito bem e é mais segura. Se os rolamentos não se soltarem sozinhos, bata levemente com o motor num bloco de madeira e eles cairão.

LIMPEZA

Eu gosto de usar um desengraxante cítrico, mas outros solventes, ou thiner também podem ser usados. Derrame um pouco do produto escolhido para limpeza em uma bandeja e utilize uma velha escova de dentes e uma pequena escova de aço para limpar as peças, uma de cada vez. A escova de aço só poderá ser utilizada nas partes externas, e a escova de dentes nas partes internas. As cerdas de nylon não são duras o suficiente para danificar as partes internas, mas são capazes de fazer uma boa limpeza.
Em seguida eu diluo uma boa quantidade de detergente em água e faço uma segunda limpeza. Depois enxaguo as peças em água quente, que ajuda a remover qualquer resíduo de desengraxante ou detergente. Por fim, seco bem as peças em uma toalha limpa.
Borrife uma pequena camada de WD-40 em todas as peças de aço após o enxágue, para prevenir a ferrugem. Se você montar o motor logo após a limpeza, o óleo fino que utilizaremos na montagem fará o serviço.
O óleo queimado e fuligem encrustados na parte externa do motor, pode ser retirado facilmente com o uso da escova de aço. A carbonização acumulada no topo do pistão pode ser raspada com o estilete ou outra lâmina, mas é preciso ter cuidado para não danificar as bordas do pistão. Também é possível utilizar um pedaço de esponja 3M Scotch-Brite, essa verde e amarela que usamos para lavar louça, para soltar alguma carbonização mais teimosa.

INSPEÇÃO

Examine cuidadosamente todas as peças do motor e vaja se há desgaste ou arranhões nas partes internas do motor. Desgaste no interior da camisa, ou no exterior do pistão e/ou anel do pistão, podem significar necessidade de substituição. Nos motores com anel, o mesmo deve estar perfeitamente limpo e solto em seu sulco. Jamais remova o anel, a menos que pretenda instalar um novo.
Verifique as folgas nas conexões da biela. No caso de folgas excessivas, considere a substituição da mesma e/ou do pino do pistão.
Inspecione o virabrequim e veja se há alguma rugosidade ou arranhões no pino onde se encaixa a biela. Se o motor funcionou sempre bem lubrificado e com a mistura adequada, sem estar “magro” demais, o pino estará brilhante, como se tivesse sido polido. Peças rugosas ou arranhadas nointerior do motor, geralmente significam que algum material estranho entrou no motor, assim como areia, ou que o motor funcionou sem a lubrificação adequada.
Os rolamentos podem ser limpos e lubrificados com óleo fino, e então devem ser checados se estão rodando livremente e com suavidade. Caso seja percebida qualquer rugosidade ou aspereza ao rodar os rolamentos, os mesmos devem ser substituídos.
Também é importante inspecionar o cárter e o virabrequim para ver se não há danos ou desgaste excessivo. Mesmo em motores com rolamentos, o encaixe do virabrequim deve ser o mais justo possível, a fim de evitar vazamentos e perda de pressão. Se seu motor estiver excessivamente danificado e/ou desgastado nesta área, pode ser o fim da sua vida útil, pois a substituição do cárter e/ou virabrequim custarão praticamente o preço de um motor novo.
Finalmente, inspecione todas as juntas e O-rings, e substitua as juntas que estiverem danificadas e os O-rings que estiver duros e quebradiços.

REMONTAGEM

Começando pela instalação dos rolamentos. Use luvas para prevenir queimaduras e aqueça novamente o corpo do motor para facilitar o perfeito posicionamento dos rolamentos em suas cavidades. Quando estiver suficientemente quente, pressione o rolamento em sua cavidade com a ajuda de um bastão de madeira (pode ser um pedaço cortado de um cabo de vassoura). Não force demasiadamente o rolamento, caso não esteja encaixando, aqueça mais um pouco o motor até que o rolamento deslize suavemente até sua posição.
O virabrequim deve deslizar com facilidade até praticamente encostar no rolamento. Gentilmente force-o até que encoste em sua posição correta.
Os rolamento já vêm lubrificados, mas apesar disso, sugiro lubrificar todas as peças com óleo after-runner ou óleo fino durante a remontagem. A lubrificação protogerá o motor quando ele for ligado pela primeira vez, após a remontagem.
Após posicionar o virabrequim, está na hora de reinstalar o conjunto pistão e biela. Preste atenção ao correto alinhamento, utilizando-se das marcas que fez durante a desmontagem. Encaixe e deslize a camisa, cuidadosamente, pelo cilindro, até se acomodar por completo, prestando muita atenção no alinhamento correto. Em alguns casos, pode ser necessário aquecer o motor para facilitar o deslize da camisa no cilindro. Se o motor tiver anel, facilite o encaixe da camisa, comprimindo o anel com os dedos.
Instale o cabeçote e a junta, devidamente alinhados, e aperte os parafusos de forma uniforme mas sem apertá-los demais. O aperto desigual pode empenar o cabeçote, causando vazamento de pressão e prejudicando o funcionamento do motor. Virabrequim deve ser capaz de ser girado facilmente, com a mão, a partir do eixo dianteiro.
Reinstale a tampa traseira e o carburador. Recoloque o arruela de suporte da hélice e a chaveta, e também a porca da hélice. Antes de instalar o escapamento, coloque duas ou três gotas de óleo no cilindro para lubrificação completa.
Instale a vela e a hélice e verifique se a compressão está ok, girando a hélice com a mão.
Tudo pronto ! Agora seu motor deve estar com aparência e estado de novo, e está pronto para ser instalado e ligado.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

1° AERO CURIMATAÚ EM FREI MARTINS-PB

Plantas


            Muitas pessoas gostam de construir os próprios modelos, aliás, eu sou uma destas.
Esse é o meu arquivo de plantas, que baixei da internet, contém umas 200. Organizei a tempos atrás cada uma, deixando-as em pastas divididas.
Fique a vontade para baixar e utilizar como quiser.
Enviem fotos da construção e depois de pronto para postar aqui no blog.
Para acessar a pasta clique aqui!

Fonte:www.aeromodelismoeassim.com

domingo, 15 de setembro de 2013

Oficina de aeromodelismo - parte I - isopor/depron

Uma oficina ou ateliê de aeromodelismo é imprescindível para reparar, montar e construir aeromodelos satisfatoriamente.

As ferramentas, instrumentos, máquinas e aparatos necessários, e quantidade, complexidade e especialidade deles, vão depender daquilo que você se propõe fazer, do dinheiro disponível e de sua vontade.

Neste post apresentarei minha pequena experiência na organização de uma oficina, separando as ferramentas/congêneres pela aplicação/função para uma determinada proposta, então, por exemplo, podemos montar uma mini-oficina de construção de aeromodelos de isopor/depron.

Mas aqui não quero mostrar somente para que serve uma dada ferramenta em geral, mas sim seu uso ou usos específicos para cada uma dessas propostas/aplicações, é óbvio que não há receitas prontas e há muitas formas de fazer bem uma mesma coisa. Minha empreitada pretensiosa é dar uma base mínima para aqueles que vêm atrás...

Oficina de aeromodelismo do Rivaldo Voador
Oficina de aeromodelismo - minha bancada de trabalho com painel de ferramentas 

Farei uma série de posts abordando propostas e as respectivas ferramentas/instrumentos/máquinas:

2- Oficina de aeromodelismo - parte II - ferramentas comuns 

I - Ferramentas para construir em isopor/depron - O ateliê mais simples possível


1- Réguas de aço: servem como guia para cortar gabaritos, também são vitais para cortar o próprio depron; servem para medir, é claro.

Sites especializados, e eu, também, recomendo que é bom ter a disposição estes três tamanhos (30, 60 e 100 Cm) para dar flexibilidade no uso.

Peças pequenas são bem mais fáceis de cortar com uma régua pequena. A régua média servirá para cortar peças com um pouco mais de 30 Cm, muito comum na construção de aeromodelos de depron/isopor. E a grande servirá principalmente, para desenhar linhas guias no momento em que está desenhando uma planta, por exemplo.

Se tiver dinheiro só para uma, recomendo comprar a de 60 Cm, pois não é muito grande e possibilitará marcar/cortar a maioria das peças.


Réguas de aço - 30, 60 e 100 Cm

O principal uso da régua de aço é para servir de guia para cortes com estilete ou x-acto. Réguas de outros materiais (plástico ou alumínio) são facilmente cortados pela lâmina e causam acidentes sérios e não faz um corte limpo na peça.

Lembre-se que deve segurar a régua firmemente sobre a peça, alinhá-la conforme a necessidade (é melhor se estiver previamente marcada com caneta) e usar a lâmina de corte sempre perpendicular (em pé) em relação a base. Eu prefiro fazer dois cortes, um menos profundo e outro para cortar a casquinha do depron, separando a peça.
Detalhe da régua de aço sendo usada como guia para corte

Outra função importante da régua de aço é para usá-lo em medições precisas. Em uma régua comum a escala começa depois da ponta, em mais ou menos 0,5 Cm.

Na régua de aço não, a escala começa (seria o 0 Cm) na ponta da régua, como mostrado na imagem abaixo. Isto ajuda muito, pois para medir com precisão é só pôr a peça em cima da mesa, com a face a ser medida virada para você, e usar a régua apoiada na mesa para medir a peça. Note que a ponta da régua é esquadrinha para servir como um esquadro, então é só encostá-la em uma superfície plana para se obter uma medição precisão.
Detalhe de como uma régua de aço tem a ponta esquadrinhada e a ponta começa junto com a escala.


Uma régua de aço pode ser usada, também, como guia para unir duas peças que devam ser alinhadas a partir de um linha em comum, como por exemplo, para colar duas partes do estabilizador horizontal ou duas metades de uma asa, como mostrado na imagem abaixo:

Régua sendo usada sobre uma mesa para alinhar duas peças a serem coladas

A régua de aço é uma ferramenta extraordinária e pode ser usada de diversas formas, pois todos os lados são esquadrinhados e usinados e o material é bem resistente, use-as de forma imaginativa.



2- Estilete/X-acto: Para cortar depron é necessária uma lâmina bem afiada, então um estilete com lâminas sobressalentes é muito necessário para trabalhar com este material.

A X-acto ou faca de modelista é minha predileta, pois permite um controle maior no corte, permite  cortar a mão livre (formas arrendondadas), porque a lâmina é mais fina e seu formato ajuda na hora do corte.
X-acto ou estilete/faca de modelista

Estilete comum dá conta do recado, na hora de cortar depron, desde de que a ponta esteja afiada e o corte seja reto. Lembre-se sempre corte com o estilete em pé, não deite ele para um dos lados.
Estilete comum.


3- Blocos de lixas: As lixas são úteis para desbastar, esculpir, arrendondar e dar um acabamento caprichado ao depron/isopor.

Eu uso desde granulação #60 (para desbastar/esculpir/arrendondar) até #200/220 (para arrendondar/dar acabamento). Granulação mais grossa desgasta muito mais o material, lixa mais fina dá um acabamento melhor. Lembrando que quanto menor o número da lixa mais grossa é a granulação e quanto maior o número da lixa mais fina a granulação. Quanto ao tipo de lixa, eu uso o qualquer tipo disponível.

Mas o uso de folhas de lixas são potencializadas com blocos de lixas. Há um bloco de lixa vendidos em lojas de materiais de construção
Bloco de lixa convencional
Mas para materiais muito moles como depron/isopor o bloco de lixa acima não é o mais indicado, pois facilmente danifica o material e não permite um bom controle da lixação. Bom mesmo são os blocos feitos de isopor com folha de lixa coladas com cola quente, pois não danificarem o material a ser lixado e ter bom apoio, por causa da alça. Ao que me parece o isopor absorve um pouco melhor o impacto entre o bloco de lixa e o material a ser lixado, suavizando o processo, de qualquer forma um bloco de isopor ao bater no material a ser lixado, não o danifica. Se fizer os blocos perceberam bem o que estou dizendo.

É muito fácil fazer um bloco de lixa de isopor, basta pegar essa parte comum em isopor usado em embalagens.
Isopor de embalagem - usa-se a parte com estes cristas que será uma alça para o bloco de lixa
Se retira a parte mostrada na foto abaixo e colá-se a lixa usando cola quente.
Bloco de lixa de isopor
Bloco de lixa - fixa-se a lixa com cola quente - depron/isopor são materiais moles, então a lixa dura muito

Ou se pode pegar sobras de isopor, cole uma aparata na outra que servirá como alça.
Bloco de lixa feito com duas aparas de isopor colado com cola quente
Bloco de lixa feito com duas aparas de isopor colado com cola quente - outra perspectiva

Este bloco para ser usado para lixar uma asa recém cortada, laterais de fuselagem, ou qualquer outro uso, a alça facilita muito a lixação e a deixa muito precisa.

Outros bases para lixas são importantes, usando um cartão de créditos, lixa granulação #60~100 preso com fita crepe fazemos um importante desbastador para fazer um nicho para por o reforço de fibra de vidro/bambu em uma asa. É só marcar com caneta o local onde se quer abrir na asa e passar a lixa várias vezes até atingir a profundidade desejada.
Cartão, lixa e fita crepe
Lixa montada - permite abrir um nicho na asa para o reforço de fibra de vidro

Usando um pedaço de espuma, um pedaço de lixa e cola quente, dá para fazer um excelente lixador de asas e para lixar qualquer coisa com curvatura, sem danificar o material.
Lixadeira feita com espuma e um pedaço de lixa - perfeito para lixar asas
Lixadeira de espuma lixando uma asa - observe como a lixadeira se adapta bem ao formato da asa.


Um cano (diâmetro depende do diâmetro do bordo de ataque) cortado ao meio no seu comprimento e com uma lixa colada no interior do tudo é muito útil para fazer ou lixar um bordo de ataque.
Lixador tubo -  usado para arrendondar o bordo de ataque

4- Calculadora: Uma calculadora é muito útil para calcular medidas em escala a partir de uma fotografia, croqui ou planta, quando se quer dimensionar, aumentar ou diminuir. Ter uma calculadora por perto é muito útil para calcular uma série de fatores importantes na oficina, compre uma para seu ateliê.

Por exemplo, temos uma imagem em três vistas como esta:
P-51B-C Mustang III - três pontos de vistas
5- Régua transparente (comum, plástica): com a régua mede-se 8,5 Cm de envergadura (dá para medir direto da tela do computador, tente você mesmo), depois mede-se 2 Cm de corda da raiz da asa (largura do meio da asa), depois mede-se 1 Cm de corda (largura da ponta da asa). Então para calcular a envergadura de um hipotético aeromodelo com 120 Cm, é só dividir 120 (envergadura pretendida) por 8,5 (envergadura medida no desenho) que dá 14.1, este é o fator de conversão, então pegamos este número (fator de conversão) e multiplicamos por todos os valores encontrados, então encontramos os valores para este aeromodelo com 120 Cm de envergadura, raiz da asa = 28,2 Cm; ponta da asa = 14,1 Cm, etc.

Esta faz parte da técnica denominada "scratch building" ou construção do zero, que produz modelo em escala a partir do zero, com qualquer material disponível/utilizável, sem um kit comercial.  Muitas vezes o efeito escala (o aeromodelo diminui, mas as moléculas do ar não) faz o modelo pronto não voar como o avião "full scale" (o de verdade), mas muitas vezes simplesmente voa muito bem, pela ação de outros fatores, como menor carga alar, etc.

6- Pregadores de roupa e prendedores de escritório:  estes são muito úteis para colar peças que exigem pressão para serem coladas corretamente.
Pregadores usados para segurar peça que esta sendo colada.

Prendedores de papéis e pregadores para prender peças que vão ser coladas - há necessidade de pressão nestas peças.
Note que na área central da fuselagem eu usei prendedores e grampos mais fortes, para não marcar o isopor eu usei palitos de sorvetes para distribuir melhor a pressão.


7- Pistola de cola quente: é uma ferramenta muito útil tanto para colar peças de isopor/depron, como para colar velcros para segurar eletrônica dentro da fuselagem, para fixar servos em seus respectivos nichos, ou usado  para criar suas ferramentas/instrumentos.

Isto tudo porque ele adere muito bem a uma variedade de materiais, é muito rápido tanto para aplicar a cola, quanto para a cola "curar".
Cola quente - usado para colar as peças de isopor/depron do aeromodelo, servos ou velcros

O cuidado com a cola quente é que se abusar dela, ela vai agregar muito peso ao aeromodelo. Outro problema é quanto a temperatura, algumas são muito quentes e derretam o isopor.

8- Gillette ou Lâminas descartáveis para barbear:  é muito útil para cortar rebarbas/sobras de entelagem, tanto monokote ou fita adesiva. NUNCA USE estilete para esta tarefa, ele não é afiado o bastante. O cuidado com o gillette é que ela perde o fio muito rápido de deverá ser substituída sempre, mas o resultado é muito bom.
Lâmina de barbear cortando sobras na entelagem


Para montar ou construir um aeromodelo tem que se ter em mente o seguinte mantra: simétrico, alinhado e esquadrinhado.

Isto tem haver com a necessidade do aeromodelo estar corretamente montado/construído na posição das peças umas em relação com as outras para que o modelo voe sem tendências.

Simétrico diz respeito que um lado deve ser igual ao outro, o lado direito do estabilizador deve ser igual ao esquerdo, igual para as semi asas.

Alinhado diz respeito as partes devem seguir as respectivas linhas de referências, por exemplo, a deriva (parte fixa) e o leme (parte móvel) devem (via de regra) estar alinhados com a linha central longitudinal. Os componentes podem estar desalinhadas somente para atender a necessidade do projeto, por exemplo, o estabilizador horizontal pode ser posto alguns graus negativos em relação a linha de referência (incidência) da fuselagem para criar um momento de arfagem (picar/cabrar) para estabilizar o modelo.

Esquadrinhado diz respeito que alguns componentes aerodinâmicos devem estar paralelos,  em pontos estratégicos, com outros, por exemplo, a asas e o estabilizador horizontal, vistos de cima, devem estar equidistantes (distância igual dos dois lados), ou estarem a 90º entre si, por exemplo, o estabilizador vertical (deriva) deve estar a 90º do estabilizador horizontal. Também diz respeito a posição da lincagem em relação aos comandos e seus respectivos servos.

Há exceções em modelos de voo circular controlado, uma asa é menor do que outra (assimetria), em modelo de voo livre a deriva pode estar desalinhada ou o estabilizador horizontal pode ser inclinado para que o aeromodelo voe em curvas (desalinhamento e desquadrinhado).  Para modelos comuns este mantra garante um voo sem tendências e as ferramentas que seguem servem exatamente para garantir isto.

9- Fio de nylon (para pescaria): isto pode ser usado para referenciar distâncias equidistantes (igual dos dois lados) ou usados como linha de referência para alinhar componentes aerodinâmicos, por exemplo, o leme a linha longitudinal da fuselagem.

Nylon preso no meio do bico - usado para checar alinhamento do estabilizador - veja a marca branca está no profundor

Fio de nylon preso no meio do bico do modelo - observe que a marca branca indica que está desalinhado
Bordo de fuga do estabilizador - usar o fio de nylon como instrumento de referência - aqui marcado com pilot

Se vê que é fácil conferir usando o fio que a distância do bico do modelo até as pontas do estabilizador são iguais dos dois lados (ISTO É FEITO ANTES DE COLAR!), muito importante para um voo sem tendências. O mesmo processo pode ser usado para medir se a distância entre os dois lados do trem de pouso estão iguais, ou qualquer outro ponto do modelo.

O mesmo fio de nylon preso ao meio do bico do modelo estendido até a cauda, permite saber com precisão onde fica o meio do modelo em qualquer ponto da fuselagem, isto é importante, por exemplo, para se colocar o leme bem no meio da fuselagem e alinhado com a "datum line" longitudinal (linha de referência do cumprimento do modelo). Sem isto o modelo pode ter tendência de guinar


10- Esquadros: são extremamente necessários para esquadriar qualquer peça, principalmente, os planos de cauda que são peças muito sensíveis a este tipo de defeito.
Esquadros de plástico sendo usados para esquadriar os planos de cauda do Avistar
Este modelo é de balsa e comercial, mas funciona com qualquer modelo/material, o princípio é mesmo, usar o ângulo de 90º natural do esquadro como "gabarito" ou apoio dos dois lados.

Um esquadro de marceneiro pode ser usado para marcar/cortar peças quadradas (ou retangulares) perfeitamente esquadrinhadas, por exemplo, as cavernas ou a parede corta fogo.

E, também, usado para fazer linhas de referência importantes para alinhar/esquadrinhar a fuselagem de um modelo, por exemplo, em uma tábua onde vai montar uma fuselagem, traça-se uma linha longitudinal e com o esquadro traça-se linhas perpendiculares aquela linhas, exatamente onde ficaram as cavernas.
Esquadro de marceneiro - a parte mais grossa é o apoio onde se encosta  o lado já esquadrinhado do material - a escala é alinhada de forma a começar na borda do material

O modo de usar é extremamente simples, usando o encosto no lado desempenado ou esquadrinhado, já marcado com o cumprimento pretendido, usa-se a parte com a escala para marcar com lápis ou caneta o lado que se quer cortar, depois se repete o processo na parte recém cortada para fazer os outros lados.
Esquadro de marceneiro - no polegar - encosto no lado esquadrinhado do material  - marcação garante um ângulo de 90º
E, também, usado para fazer linhas de referência importantes para alinhar/esquadrinhar a fuselagem de um modelo, por exemplo, em uma tábua onde vai montar uma fuselagem, traça-se uma linha longitudinal e com o esquadro traça-se linhas perpendiculares aquela linha, exatamente onde ficarão as carvenas. 
Jigua de feselagem
Esquema para alinhar a fuselagem e suas cavernas usando linhas de referências traçadas com o esquadro de marcineiro

Dá para usar um esquadro de plástico com a mesma finalidade, desde que a peça a ser marcada/cortada não seja muito grande.
Esquema do uso de um esquadro de plástico para marcar uma peça de depron ou isopor perfeitamente esquadrinhada

Esquadro usado para marcar uma linha de 90º (valor correto) a partir do aileron - usado como referência para  a lincagem

Usando a marca feita com o esquadro como referência dá para posicionar corretamente o servo - note que encosto o esquadro de plástico 

11- Alfinetes: Materiais comuns as vezes são extremamente importantes para o modelismo, por exemplo, alfinetes são usados para prenderem peças que estejam colando, prender gabaritos ao que se pretende marcar ou cortar, ou para manter peças no lugar enquanto se alinha ou esquadrinha essas peças.
Alfinetes prendendo lateral para colar ao resto do conjunto da fuselagem
Alfinetes prendendo reforços de fibra de vidro enquanto colam na asa de isopor
Para os alfinetes segurarem melhor as peças no lugar, é necessário pô-los em ângulos oblíquos, como na imagem acima, observem estão todos "tortos" ou virados para os lados. Sem isso o alfinete pode soltar.
Gabaritos no depron para marcação e corte - presos com alfinetes
Alfinetes segurando as peças no lugar enquanto estão sendo alinhadas.

Eu uso alfinetes comuns de dois tamanhos (pequenos e grandes) e alfinetes com cabeças, todos encontrados em lojas de um e noventa e nove.

12- Elásticos: Note que eu usei elásticos de dinheiro para manter a fuselagem alinhada durante o colagem. Elásticos funcionam bem para esta tarefa porque devido a pressão exercida por eles facilitam um ajuste bem preciso e quando em repouso seguram as peças na exata posição até estarem colados.

Elásticos presos com preguinhos para com a pressão exercida ajudar a alinhar e segurar a fuselagem

13- Cortador elétrico: Para fazer as asas de isopor, é necessário usar este aparato. Ele é feito em casa e com materiais relativamente comuns. Há muitos tutorias sobre o assunto. Abaixo eu passei um link de um tutorial.
Arco cortador de isopor - três sarrafos, uma linha com mola para tensionar e um fio de corte

Meu arco de corte é parecido com este acima, mas ao invés da mola, eu uso elásticos de dinheiro para tensionar o conjunto. Ao invés dessas ripas, eu uso cabos de vassouras, tanto para a barra horizontal como para as duas barras verticais. Uso um parafuso auto atarachante de cada lado para uni-los e ganchos auto atarachante para prender o cabo onde vão os elásticos. Para aquecer o fio uso uma fonte de computador ligado no fio amarelo e preto (12v) e ajusto a temperatura do fio aproximando ou distanciando os fios, usando garras. Tentei vários fios, inclusive o caro nicromo, mas o que deu super certo foi o fio de aço para pesca .30 mm, é bem fininho, mas é muito resistente, é super barato (~R$ 5,00).
Cortador vertical de isopor
Este é o cortador vertical, é muito útil para cortar a geometria de uma semi asa ou a lateral de uma fuselagem interiça do bloco de isopor.

Aqui há um tutorial para fazer os cortadores, mas é só pesquisar "cortador de isopor caseiro" para ver bastante coisa:
http://clubedohobby.wordpress.com/2009/07/11/cortadores-de-isopor/
e este: http://rivaldovoador.blogspot.com.br/2011/07/metodo-de-cortar-asa-de-isopor-usando.html


14- Uma mesa de trabalho: usando depron provavelmente você não vai querer construir modelos muitos grandes, então um mesa pequena para pôr um folha de depron (100 cm x 60 cm) em cima e poder trabalhar nela.

Mesa com tampo de granito - não empena.
O ideal é uma bancada de madeira compensada, pois além de ser reta, dá para prender as peças com alfinetes facilmente. Para poder usar mesas que não podem ser pregadas, seja porque o material não permita (vidro, pedra) ou seja porque não possa ser danificada (sua esposa ou mãe vai lhe matar), dá para usar uma tábua desempena (eu uso uma lateral de guarda-roupas) em cima da mesa para as construções que necessitem ser pressas com alfinetes.


Espero ter ajudado, quaisquer dúvidas me mandem um email ou comentário, que se eu souber lhe responderei.
FONTE :

Blog do Rivaldo Voador